O Guru Ideal
- Svami Mahavir

- 28 de jun. de 2020
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Atualizado: 17 de abr.
"Qualquer pessoa que deseja seriamente a verdadeira felicidade deve procurar um mestre espiritual fidedigno e se abrigar nele através da iniciação. A qualificação do guru fidedigno é que ele compreendeu as conclusões das escrituras e é capaz de convencer os outros dessas conclusões. Tais grandes personalidades, que se abrigaram na Suprema Personalidade de Deus e abandonaram todos os apegos materiais, devem ser aceitas como mestres espirituais fidedignos."
(Srimad Bhagavatam 11.3.21)
O guru ideal deve ser alguém completamente versado nas escrituras védicas, renunciado aos desfrutes materiais, que tenha uma relação direta com Krishna, deve cantar o maha-mantra Hare Krishna com regularidade e ser auto-controlado. Guru é aquele que conseguiu controlar a mente, a ira, a fala, a língua, o estômago e os genitais. Além disso, ele deve ser capaz de dar instruções perfeitas, capaz de livrar seus discípulos das armadilhas de maya.
“Um indivíduo sábio e autocontrolado, capaz de subjugar os impulsos da fala, a ansiedade da mente, o ataque da ira, os desejos da língua, as demandas do estômago e a agitação dos genitais, pode instruir o mundo inteiro.”
(Sri Upadesamrita, verso 1)
Na atual era de Kali, muitas pessoas ficam irritadas simplesmente por ouvir a palavra guru devido à excessiva má conduta e a queda de muitos falsos gurus que, buscando fama e poder, enganaram seus discípulos com falsas promessas. Existem muitos falsos gurus que têm um caráter abominável, que comem carne, bebem álcool, mantém relações ilícitas ou consideram-se ser Deus. Devemos ter muito cuidado com esses falsos gurus. Principalmente, se vêm da Índia. Nem tudo que vem da Índia pertence à tradição védica. Lá existem muitos pensadores livres e independentes, criando as mais diversas teorias e práticas sem qualquer evidência baseada nos Vedas ou até mesmo na ciência.
“Um guru que está absorto em gratificação dos sentidos, que é um tolo incapaz de discernir entre um comportamento próprio ou impróprio e que segue um caminho desprovido de devoção pura, é um falso guru. Deve-se abandoná-lo de imediato.”
(Mahabharata, Udyoga Parva 179.25)
No caso do Papa e dos líderes cristãos, por exemplo, que dizem possuir amor e afeição por Deus e pela humanidade, mas continuam se alimentando da carne de animais inocentes, isto significa que o amor deles permanece condicionado e sua compaixão é limitada. Um guru autêntico deve cultivar valores universais de amor incondicional a todas as entidades vivas, independente se ela está no corpo de um animal ou não.
Outro caso típico de um falso guru, muito comum no hinduísmo, é daquele que se apresenta como sendo o próprio Deus, através da teologia da unidade indistinta entre as almas e Brahman, ou monismo. Apesar de ser extremamente limitado e ignorante, dependente da energia material para tudo e incapaz de livrar-se das misérias corpóreas, ele ainda assim se compara ao Brahman (o aspecto impessoal de Deus), o Senhor da criação, manutenção e destruição de todo o universo. Isso significa que ele ainda não desenvolveu humildade suficiente para assumir seu papel de servo de Deus. Por suposto, não pode ser considerado guru, mas sim alguém que nutre profunda inveja de Deus e deseja usurpar Seu trono como um traidor. Este sujeito inescrupuloso, mesmo após afirmar que todos nós também somos Deus, permite apenas que ele seja adorado como tal, e no ápice de sua soberba, senta-se no altar destinado ao Senhor e aceita a adoração em Seu lugar.
Outro exemplo de um falso guru é aquele que, a pretexto de conduzir seus seguidores ao “êxtase divino”, recruta suas discípulas para aulas íntimas, onde a prática sexual será propagada como forma de catecismo e purificação. Ele diz que através da relação sexual será ativada a kundalini e a partir daí acontecerá o despertar da consciência divina. Canalhas desse nível se aproveitam da inocência alheia e merecem a mais severa das punições em um tipo de inferno que ainda não foi criado.
A primeira lição que os Vedas nos ensinam é que não somos este corpo e que não será através de ginástica e/ou estímulo sexual que a Verdade Absoluta poderá ser experimentada. É somente através do serviço devocional, livre de apegos mundanos, que poderemos receber a misericórdia do Senhor e compreender Sua natureza transcendental. Toda compreensão é fruto de uma benção e as bênçãos são outorgadas pelo Senhor àqueles que se rendem e se humilham diante dEle. Enquanto houver no coração a arrogância de nos comportarmos como se o mundo fosse feito para o nosso próprio desfrute, a misericórdia não poderá se acercar de nós.
Caso você tenha sido iniciado por um dos “gurus” descritos acima, deveria obedecê-lo com a rendição recomendada pelas escrituras? Deveria seguir este “guru” completamente, a ponto de entregar sua vida a ele? Qual deve ser a reação do discípulo quando descobre que seu “guru” é um farsante? As escrituras revelam que se o discípulo for sincero, deverá rejeitar este falso guru, imediatamente, e procurar por um guru que cumpra com os requisitos necessários para desempenhar este papel com integridade.
Ser guru pressupõe, principalmente, assumir uma grande responsabilidade. No momento da iniciação, 60% do carma do discípulo é transferido para o guru, e se este não for capaz de digerí-lo, acabará sofrendo com este fardo e cairá de sua posição muito em breve. Um guru deve ter compreendido que é um servo de Deus, deve ser versado nas escrituras védicas e ser capaz de tirar todas as dúvidas de seus discípulos. Se ele tiver amor puro por Deus, este amor fluirá até o coração de seus discípulos, permitindo que estes evoluam espiritualmente e estreitem sua relação com Krishna.
O guru ideal não cultiva desejo por fama, riqueza e seguidores. Ele jamais pensa que seus discípulos são sua propriedade. Na verdade, um guru autêntico não faz discípulos, mas sim gurus.





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