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"O verdadeiro eu, ou alma, habita um corpo de sentidos materiais e experimenta as misérias do mundo através do nascimento, envelhecimento, doenças e morte, enquanto busca incansavelmente por prazer e felicidade temporários. Incapaz de compreender o que está além deste véu de ilusão, a alma sofre calada, sem saber onde encontrará amor incondicional e paz eterna.​ Após inúmeros nascimentos, contudo, algumas almas sinceras recebem a inestimável boa fortuna de reconhecer que Krishna é Deus e de encontrar um guru genuíno que lhes ensinará a trilhar o caminho de Bhakti."

Svami BV Mahavir

Aparente Perfeição

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Guardo memórias de uma infância solar, vivida sob o céu azul da Zona Sul carioca. Cresci em uma cobertura em Copacabana, cercado pelo afeto de ser o primeiro filho, sobrinho e neto de uma família abastada e católica. Meus bisavós moravam na Avenida Atlântica, de frente para o mar, onde sempre nos reuníamos no réveillon. Tive a oportunidade de estudar nos melhores colégios, tinha muitos amigos, era bom nos esportes e sempre tirava boas notas.

Aprendi a transitar entre mundos com naturalidade. Na nossa casa de campo e na fazenda, as fronteiras sociais inexistiam para mim; na minha roda de amigos sempre havia crianças de todos os níveis sociais. Minha família sempre prezou pela humildade e pelo respeito absoluto a qualquer pessoa, independente de seu status social. Talvez por essa natureza pacífica e conciliadora, é que tenha podido atravessar toda infância e juventude sem nunca ter me envolvido em uma única briga.​

Tudo parecia perfeito — a vida que muitos sonham ter. No entanto, conforme eu crescia, um sussurro de inquietude ecoava em meu coração. Ao observar meus familiares, notei uma contradição dolorosa: apesar de possuírem todos os recursos, a felicidade lhes escapava e os conflitos eram constantes. Sob a superfície dessa aparente perfeição, uma angústia sem nome me impelia a concluir que não valeria a pena reproduzir aquele modelo de vida.

Questiono, Logo Existo

Aos 11 anos de idade, um livro sobre a revolução cubana transformou Che Guevara em meu primeiro ídolo. Seguindo impulsos juvenis, adotei a estética e o comportamento de um subversivo: deixei o cabelo crescer, coloquei brincos, ouvia rock n’ roll e tinha uma postura desafiadora diante de toda e qualquer autoridade. Acreditava ser o dono de uma verdade incontestável e chamava de alienados aqueles que não concordavam comigo. Eu não percebia que era refém de uma alienação ainda mais sutil.

Mesmo sem saber, este ímpeto questionador continha em si a semente da minha busca espiritual. O Vedanta-sutra ensina que o despertar da alma começa justamente com o questionamento — athato brahma jijñasa — 'devemos questionar sobre a Verdade Absoluta'. O ato de questionar sobre sua própria existência é o que difere o ser humano dos animais. ​​​​

Hoje, porém, em um tom tragicômico, costumo dizer que "meu maior pecado foi ter sido comunista". Com o tempo, percebi que regimes ditatoriais, sob qualquer bandeira, são a antítese da liberdade. Compreendi que doutrinas impostas à força, sob o pretexto de serem as guardiãs da virtude e do altruísmo, culminaram inevitavelmente em regimes totalitários e genocidas. Atraídos pela utopia trina da revolução francesa de liberdade, igualdade e fraternidade, jovens imaturos são incapazes de compreender a hipocrisia do comunismo.

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Desapego e Liberdade

Svami Bhaktivedanta Mahavir

Em 1995, aos 15 anos, influenciado por minha avó materna, mergulhei no estudo das religiões, esoterismo, magia, yoga, meditação e fui iniciado no Reiki. Quando eu ia à sua casa, ao invés de assistir televisão, sentávamos para meditar e conversar sobre os mistérios da vida. Foi nesta época que tive o primeiro vislumbre sobre a importância da vida monástica.​

Somos influenciados pelo contexto político-cultural no qual vivemos, porém são nossos próprios desejos materiais que nos aprisionam a ele. A existência do aprisionamento externo está diretamente ligada ao aprisionamento interno. Maya se aproveita de nossas fraquezas para nos escravizar. Através da falsa necessidade de satisfazer nossos próprios sentidos, nos tornamos reféns dos desejos materiais. Compreendi, então, que se me tornasse tão desapegado quanto um yogi ou um santo, jamais poderia ser escravizado pelos sentidos, pela mente, pelo governo ou por maya.

Morando na Favela

Minha busca pela liberdade não era apenas um capricho juvenil, mas um imperativo ético. Engajei-me na linha de frente de movimentos estudantis, políticos e sociais e dediquei-me à alfabetização de jovens e adultos, movido, principalmente, pela falácia da luta de classes. Naturalmente, isso trouxe um conflito interno muito grande: como conciliar meus ideais revolucionários com os privilégios da minha classe? 

O conforto e as iguarias da elite tornaram-se amargos diante da minha percepção de um mundo desigual; minha postura frente à luta de classes exigia coerência. Não bastava bradar por igualdade: era preciso renunciar aos meus privilégios para não me sentir culpado pelo sofrimento alheio. Foi então que aos 17 anos, troquei o condomínio onde morava com meus pais na Lagoa Rodrigo de Freitas, por um cortiço no Morro da Providência, atrás da Central do Brasil, no centro do Rio. Para muitos, favela é sinônimo de medo; para mim, era sinônimo de liberdade.​

Embora toda minha família tenha se oposto à mudança e me dirigido inúmeras críticas, me mantive convicto de estar no caminho certo. Como dizia o poeta Tobias Barreto: “Com as pedras que me atiram, construirei um altar.”

 

Não devemos ser vitimistas; nada pode nos impedir de avançar, a não ser nós mesmos. Não podemos depender dos outros - seja da política, da cultura, da família e do Estado -  para ir em busca da nossa liberdade e evolução espiritual. Mesmo que essa luta fosse uma utopia, valeria mais a pena morrer lutando, do que me conformar. O conformismo seria a minha pior derrota. ​​​​​​​

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Vivendo de Poesia

Svami Bhaktivedanta Mahavir

Atuando junto ao movimento dos sem-teto, o meu papel era invadir casas e terrenos ociosos para transformá-los em moradia popular. Aprendi a abrir cadeados com um grampo de cabelo, a serrar barras de ferro com uma serra de tungstênio, a comer arroz e feijão por várias semanas e a conviver com todo tipo de pessoas em situação de risco. Na casa onde morava com um casal de dirigentes do MTST, quase todo dia era comum acordar com algum estranho dormindo no chão ao meu lado. Na maioria das vezes eram mendigos ou pais de família desempregados que precisavam de um abrigo temporário.

Contudo, a liberdade exigia um meio de subsistência que não traísse meus princípios. Eu me recusava a ser engrenagem de um emprego convencional ou refém do assistencialismo estatal. Buscando um sustento coerente com minha busca pela liberdade, passei a produzir meus próprios livros de poesia e a vendê-los nas portas de cinemas, centros culturais, universidades, praças e ruas do Rio de Janeiro e do Brasil.​

Embora o retorno financeiro fosse modesto, cada moeda conquistada era um tijolo na construção da minha fortaleza espiritual. Nada no mundo poderia ser trocado por aqueles momentos em que eu comungava a liberdade com o universo e a bem-aventurança transbordava a minha alma. Nada era mais valioso do que o privilégio de decidir meu próprio destino e para onde meus passos me levariam. Foram quase quatro anos vendendo poesias na rua.​​

Saudades de Deus

Meu ingresso na Faculdade de Filosofia da UERJ foi movido pelo desejo de encontrar respostas nas grandes correntes do pensamento ocidental. No entanto, o que encontrei foi um formalismo que tratava a filosofia como um objeto de estudo infértil, e não como um trampolim para a transcendência. Essa desconexão entre o saber e o ser fez com que me sentisse novamente encarcerado, e a universidade tornou-se apenas um ponto de encontro para a subversão em diferentes níveis. Meus dias acadêmicos se resumiam a conspirar contra o Estadoescrever frases anarquistas nas paredes e a usar enteógenos na tentativa de alcançar estados alterados de consciência que a filosofia não podia proporcionar.​

O maior problema da filosofia acadêmica é se preocupar mais em fazer perguntas do que encontrar respostas. E isso pra mim nunca fez sentido algum. Sempre acreditei que a Verdade não fosse subjetiva; mas que existia por si, de si e para si mesma, como uma meta a ser alcançada e não meramente uma estrada a ser percorrida.

O Vedanta nos ensina que o mistério da existência é um paradoxo inconcebível. Não nos foi dada a capacidade de resolver este mistério através do exercício da lógica e da retórica. O Vedanta-sutra declara que "não é através da lógica e da especulação mental que se compreenderá a Verdade Absoluta, mas sim apenas para quem Ela escolher

se revelar".​​​

O acesso a qualquer conhecimento transcendental só é possível através de uma revelação. Isto chama-se apaurusheya, ou seja, o conhecimento transcendental só pode ser acessado de cima para baixo. Através de sentidos limitados, jamais poderei saber quem é Deus. Enquanto o senso comum sugere que o autoconhecimento começa pela análise do 'eu', o Vedanta propõe um caminho inverso e mais profundo: para compreender o eu (efeito), é preciso primeiro conhecer Deus (causa). ​

E foi assim que, acidentalmente, desviei-me para o caminho certo. Abandonei o materialismo histórico dialético e voltei a acreditar em Deus. Conhecer Deus passou a ser a minha prioridade. Não havia nada mais urgente para mim do que saber, não apenas que Ele existia, mas principalmente quem é Ele era de fato. Caí de joelhos e chorei. Clamei por misericórdia, pedindo a Deus que não permanecesse incógnito e me revelasse Sua verdadeira face.

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Isolamento na Montanha

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Aos 22 anos, após um forte chamado interno, fui levado a fazer outra grande ruptura. Deixei a cidade do Rio de Janeiro e me isolei no alto das montanhas do Sana, na serra de Macaé-RJ. Minha busca por Deus culminou em um mergulho profundo na austeridade. Tornei-me vegetariano, adotei o celibato e abandonei o uso de psicotrópicos. Era preciso aprender a subir a montanha com minhas próprias pernas. Simplificando minha existência até o essencial, bebia água do rio e comia vegetais cozidos, intercalados por períodos de jejum que limpavam o corpo e fortaleciam a mente. Meus dias eram regidos por um novo e sagrado ritmo: a prática do Yoga ao amanhecer, seguida por horas dedicadas à meditação, aos estudos, à poesia e à ecologia. Eu não estava apenas mudando hábitos; estava reconstruindo meu ser para me tornar um recipiente digno da graça divina.​

Aquele foi, sem dúvida, o período mais lancinante da minha vida. Sob o silêncio da renúncia e o isolamento da montanha, fui forçado a encarar minhas sombras. Ao despir-me das ilusões que nutria sobre mim mesmo, descobri que não era tão virtuoso quanto imaginava ser. Diante do espelho da verdade, vi emergir uma lista enorme de defeitos como orgulho, egoísmo, luxúria e hipocrisia. Era preciso fazer uma poda geral para renascer com força e na direção certa. Era preciso amar aquela dor como a única via para sublimar a minha própria existência.

Seis meses depois, em meio aos escombros, já era possível ver um broto de esperança nascendo entre as rachaduras. A tragédia poética, que antes me torturava, fora obrigada a render-se ao triunfo da vida e ao êxtase da comunhão com Deus. A vida agora se revelava como uma grande celebração de amor, através do nascimento de um novo ser. Eu havia sobrevivido à depressão do poeta niilista e caminhava revigorado pelas trilhas da sanidade espiritual. Eu já não queria mais seguir os heróis que morreram de overdose, mas sim os grandes mestres iluminados que conquistaram a vida eterna.

Conhecendo o Vaishnavismo

Em 2005, inspirado pelo arquétipo do yogi austero com barba e cabelos longos, fui morar numa comunidade alternativa em Pirenópolis, onde dediquei-me a dar aulas de astanga-yoga, à educação infantil numa escola comunitária e à jardinagem. Até que um dia, o destino me levou para cuidar do jardim da casa de uma devota de Krishna.​ Confesso que olhava com ceticismo para os devotos de Krishna: suas roupas, cantos e danças eram estranhos, quase folclóricos. Mas era minha ignorância que me impedia de ver a profundidade daquela filosofia por trás de tanta descontração.

Contudo, ainda inquieto por perguntas que o silêncio e o isolamento não conseguiram responder, minha única opção era investigar a fundo o vaishnavismo. Durante a leitura de 'A Ciência da Autorrealização', de Srila AC Bhaktivedanta Svami Prabhupada, o véu do impersonalismo foi rapidamente removido; Krishna era o Deus por quem minha alma clamava. O desejo pela fusão no Brahman deu lugar à devoção a Bhagavan. Minhas preces foram atendidas: Deus finalmente revelava-Se a mim.

Lembrei do que Nietzsche disse: "Eu só poderia crer em um Deus que soubesse dançar" - e senti pena. Se tivesse conhecido Krishna, seu destino não teria sido o abismo da loucura, mas sim o paraíso da bem-aventurança devocional.

Em julho de 2007, recebi a primeira iniciação de Harinama. Meu nome agora era Gokula Chandra das.​ Dedicando-me ao sadhana com a avidez de quem encontra água no deserto, eu cantava japa de madrugada, orando apenas para me encontrar pessoalmente com Gurudeva na Índia.

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Viagem Sem Volta

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Desembarquei na Índia em outubro de 2007. Na viagem de trem de Delhi a Vrindavana, eu contemplava estarrecido aquele ambiente caótico, mas que ao mesmo tempo transmitia a mais elevada paz espiritual. Nada do que me contaram ou o que vi em fotos e vídeos, poderia descrever a magnitude daquela realidade. Pela primeira vez, senti-me parte de uma cultura da qual não precisaria tentar me libertar; ao contrário, seria através dela que alcançaria minha libertação espiritual.​

Muitas pessoas acreditam que basta viajar à Índia para compreender o que é espiritualidade. Porém, ao serem bombardeados por inúmeros problemas sociais e se perderem num imenso labirinto religioso, elas voltam ainda mais confusas do que quando chegaram.

Aprendi que a verdadeira espiritualidade não se conhece apenas cruzando fronteiras geográficas, mas através do encontro com um mestre espiritual autorrealizado. Só ele é capaz de revelar o verdadeiro significado das escrituras védicas e despertar em nós a devoção pura por Deus.

É comum dizerem que não precisamos de um mestre espiritual, pois a verdade já está dentro de nós. Contudo, o Vedanta nos ensina que nascemos em ignorância, encobertos pelos véus de maya, e que sozinhos dificilmente encontraremos a saída do labirinto da existência material. Como afirma o Svetasvatara Upanishad: "É somente para aquele que tem fé inabalável no Senhor Supremo e no mestre espiritual, que a Verdade Absoluta será revelada". 

Meu plano original era me encontrar com Gurudeva, peregrinar por Vrindavana e fazer um curso de instrutor de yoga em Rishikesh, retornando ao Brasil após 90 dias. Todavia, o destino reservava algo ainda mais especial. 

Dois Oceanos de Compaixão

Foi no primeiro dia de Kartika que pude finalmente estar diante da personalidade mais importante da minha vida. Sentado no palco, imponente e sereno, ele distribuía misericórdia a todos apenas com o olhar. Era o dia do desaparecimento do seu Guru, Srila Bhakti Pragyana Keshava Gosvami Maharaja e, para minha surpresa, vi Gurudeva chorando de saudades enquanto o glorificava. Naquele momento meu coração derreteu. Era um misto de alegria e tristeza somadas a um grande alívio, pois durante toda a minha infância, meu pai sempre me repreendia quando eu chorava. Eu mesmo nunca o vi chorar. Naquele momento, tive a certeza de que meu pai espiritual faria o oposto.​​ Srila Goura Govinda Maharaja dizia que a Gaudiya é a escola do choro.

Duas semanas depois, a maior de todas as rupturas mudaria o curso da minha vida drasticamente. Fui informado que Gurudeva queria falar comigo. Ao entrar no seu quarto, ele estava recostado sobre a cama, cantando japa. De longe, prestei reverências prostradas e, ao me levantar ainda meio desconcertado e nervoso, encontrei-o olhando-me com um ar sereno, porém sério.

Ele ficou em silêncio olhando para mim por alguns segundos. Não havia nada que eu pudesse esconder. Ele sabia tudo sobre meu passado, presente e futuro. Ele conhecia a minha alma. Porém, esta nudez espiritual não me constrangia. Ao contrário, me dava a segurança de saber que não importa o quão pecaminoso e ofensor eu seja, Gurudeva jamais deixaria de me amar por isso.

Um dos seus servos entrou no quarto trazendo uma muda de roupas açafroadas e entregou para Gurudeva. Levantando-se da cama, Gurudeva consagrou as roupas no pequeno altar que havia ao lado de sua cama, tocando-as nas fotos de Sri Sri Goura Radha-Vinoda Bihari Jiu e de Param-gurudeva. Em seguida, ele deu um passo na minha direção e, olhando fundo nos meus olhos, entregou as roupas para mim e disse: "A partir de agora você será um brahmachari e deve prometer seguir todos os princípios da vida monástica."

Senti como se fosse uma experiência de quase morte e toda a minha vida passou como um flash na minha cabeça. Seus olhos azuis e profundos eram como dois oceanos de compaixão onde eu me banhava e purificava minha alma. Todo o medo desapareceu. De repente, tudo aquilo pareceu familiar. Era como se eu já tivesse vivido ali por muitas vidas. Fiquei sete anos sem sair da Índia.

Fotografia Mahavir

Servindo Gurudeva

Svami Bhaktivedanta Mahavir

Em 2010, meus pais foram à Índia para conhecer Gurudeva e eu os apresentei, dizendo: "Gurudeva, esses são meus pais e sou muito grato por tudo o que fizeram por mim e por isso quero oferecer-lhes o que tenho de mais valioso: a sua companhia."

Erguendo a mão direita, ele os abençoou e minha mãe começou a chorar. Ele olhou para ela e disse: "Eu tenho muito afeto pelo seu filho. Estou cuidando dele. Não se preocupe." Ao ouvir as doces palavras de Gurudeva, ela chorou ainda mais.

Eu nunca tinha me sentido tão amado e protegido em toda minha vida. O amor de Gurudeva é maior do que o de milhões de mães. Antes de conhecê-lo, eu não sabia o que era amar de verdade. Não sabia que eu tinha coração. Tudo o que eu sabia sobre compaixão não era nem uma gota comparada ao que Gurudeva sente por todas as entidades vivas.

Por quase 4 anos, tive a rara oportunidade de servi-lo pessoalmente. Lavei suas roupas, massageei seus pés, carreguei ele nas escadas, guardei a porta de seu quarto, o acompanhei em caminhadas matutinas, passei inúmeras noites em claro cuidando de sua saúde e, após sua partida, aos 90 anos, servi por dois anos como pujari no seu samadhi mandir.​​ 

É uma ofensa pensar que o mestre espiritual precisa de nossos serviços. Ele está apenas nos dando a chance de nos purificarmos através do seu serviço.

Recebendo Sannyasa

Após a partida de Gurudeva, em 29 de dezembro de 2010, fui forçado a amadurecer espiritualmente. Gurudeva me deu dois presentes: a felicidade de sua chegada em minha vida e a dor de sua partida. Ambos são como as duas faces da mesma moeda. Encontro e separação: um não pode existir sem o outro. Ambos se complementam e se nutrem, e só fazem aumentar o amor que sinto por Gurudeva.

Hoje o que tenho de mais precioso são as lembranças dos momentos que passei com Gurudeva, de seus ensinamentos, de sua postura firme e ao mesmo tempo amável. É isso que me faz levantar todas as manhãs, cumprir com meus deveres e me deitar todas as noite com a certeza de que Gurudeva está sempre comigo. 

Ainda mantenho a esperança de que ele vai aparecer diante de mim a qualquer momento e me dar algum serviço. Foi somente para servi-lo que renunciei ao mundo. Seus pés de lótus são a única referência concreta que tenho em minha vida espiritual. Servir a Krishna não faria sentido se não fosse através do meu amado Gurudeva.

No começo de 2015, após fazer um mês de jejuns e orações, pedindo a Gurudeva que me indicasse algum devoto puro no qual pudesse me abrigar, ele me disse, em um sonho, que eu deveria ir até Srila Bhakti Vigyana Bharati Gosvami Maharaja. Srila Maharaja me recebeu com muita alegria e me inspirou a continuar pregando pelo mundo com entusiasmo. 

Em fevereiro de 2017, no auspicioso dia do aparecimento de Srila Bhakti Siddhanta Sarasvati Gosvami Thakur Prabhupada, em Sri Jagannatha Puri Dham, Srila Maharaja, por sua pura misericórdia sem causa, me iniciou como tridandi-sannyasi, com o nome Bhakti Vedanta Mahavir.

Mesmo sabendo ser desqualificado e indigno de receber um título tão elevado, Srila Maharaj sabia, melhor do que eu, o que deveria ser feito. Além disso, minha rendição a ele não me permitia contrariar suas ordens em hipótese alguma. 

Para minha enorme infelicidade, Srila Maharaj partiu em setembro desse mesmo ano, me deixando órfão pela segunda vez. Desde então, tenho procurado me manter ocupado em seva e sadhana a fim de satisfazer aos meus dois mestres.

Embora saiba que meus esforços estão muito aquém do que eles esperam de mim, só me resta contar com a misericórdia de ambos para um dia poder servi-los com plena rendição.

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