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Guia da Primeira Iniciação

Atualizado: há 6 dias


"Ninguém alcança a perfeição ou o destino supremo sem receber iniciação apropriada de um guru. Portanto, com extremo cuidado e atenção deve-se aceitar iniciação de um guru fidedigno.”


(Purana-vakya)


Existem cinco tipos de gurus: chaitya-guru, vartma-pradarshaka-guru, diksha-guru, shiksha-guru e bhajana-guru. O próprio Krishna, o guru original na forma de Paramatma, que está presente no coração de cada ser vivo, é o chaitya-guru. O devoto que fala sobre as verdades fundamentais de bhakti-yoga e conduz os novatos até o diksha-guru é chamado de vartma-pradarshaka-guru. Aquele que inicia os devotos fiéis com os diksha-mantras é chamado de diksha-guru. Aquele que, através de seu discurso inspirador, auxilia no progresso espiritual do devoto, é chamado shiksha-guru. E aquele que, através de instruções avançadas, nos dá estímulos específicos a fim de nos ajudar a realizar nossa forma espiritual eterna (siddha-svarupa) é chamado de bhajana-guru.


Iniciação significa estabelecer uma relação profunda – uma relação íntima com Radha e Krishna – propiciando uma compreensão real sobre qual é a relação eterna que nos conecta. Na palavra diksha, em sânscrito, di significa divya-jñana, ou conhecimento transcendental, e ksha significa “remover todos os desejos materiais do coração”. Portanto, iniciar-se significa dar início ao processo de purificação e compreensão de nossa identidade original como servos eternos de Krishna.


“A iniciação deve ser recebida dentro de uma das quatro escolas iniciáticas vaishnavas (Shri, Brahma, Rudra e Sanaka) autorizadas pelos Vedas, do contrário os mantras recebidos não terão poder algum.”

(Padma Purana)


Qualquer guru que pretende representar a tradição védica deverá cumprir com esta premissa fundamental: pertencer a uma das quatro escolas iniciáticas autorizadas pelos próprios Vedas.



Primeira Iniciação - Harinama


A primeira iniciação de Harinama consiste, na prática, em ouvir o Hare Krishna  maha-mantra e o Panca-tattva mantra do mestre espiritual e repeti-los em seguida, bem como receber um nome espiritual. Para tanto, o aspirante deve estar ciente de todo o processo que envolve esta iniciação e já deve estar praticando-o por no mínimo seis meses. 


Durante este período, o iniciante deverá seguir os 4 princípios, fazer Ekadashi*, cantar japa regularmente, participar das aulas online, frequentar os templos, celebrar os festivais, e compreender o mínimo sobre a filosofia Gaudiya-vaishnava e a biografia dos nossos mestres. 


*A partir de agora as regras do jejum são um pouco mais rígidas.


Aceitando um Guru


“Ninguém alcança a perfeição ou o destino supremo sem receber iniciação apropriada de um guru. Portanto, com extremo cuidado e atenção deve-se aceitar a iniciação de um guru fidedigno.”       (Purana-vakya)


“Para adquirir conhecimento transcendental, devemos nos aproximar de um guru que compreenda o verdadeiro significado dos Vedas, assim como quem traz a lenha da fé transcendental como oferenda ao fogo sagrado.”      

(Mundaka Upanishad 1.2.12) 


A palavra moderna para se referir a esta grande alma é “mestre”, porém a palavra transcendental é “guru” ou “aquele que é o mais pesado” e “aquele capaz de remover a escuridão da ignorância". O guru é aquele cujas instruções devem pesar mais do que qualquer outra, e que é mais importante do que qualquer outra pessoa em nossas vidas. É aquele que dissipa a escuridão da ignorância de nossos corações e ilumina nossa consciência com o conhecimento transcendental. É aquele no qual podemos nos refugiar por ser inabalável diante das tormentas do mundo material e, cujas instruções nos ajudam a cruzar o oceano da existência material, purificando o nosso carma.


“O veredito de toda a literatura védica é que mesmo um instante na companhia de um devoto puro de Krishna pode conceder a mais completa perfeição espiritual.”  (Sri Caitanya-caritamrta, Madhya 22.54)


O guru é uma manifestação de Krishna na forma de Seu próprio devoto. O guru é a misericórdia de Krishna personificada. O Senhor Krishna não aceitará suas práticas devocionais sem que antes você as tenha oferecido ao guru. Portanto, renda-se a ele, sirva-o com humildade e pratique o processo de bhakti-yoga ensinado por ele.


Após o discípulo manifestar o desejo de ser iniciado, o guru escolherá uma data apropriada para dar a iniciação.



O Dever do Discípulo


Qual é o dever de um discípulo ideal? Ele não deve simplesmente querer a iniciação para ter um nome espiritual, para ser aceito socialmente ou apenas para dizer que tem um guru e colocar sua foto no altar. O verdadeiro discípulo deve utilizar seu corpo, mente e palavras para servir ao seu guru com total rendição. O verdadeiro discípulo sempre aspira agradar seu guru e a seguir suas instruções. Se não houver fé no guru, não haverá progresso no caminho de bhakti.


No Bhagavad-gita 4.34, Krishna explica que um discípulo sincero deve “tentar aprender sobre a Verdade Absoluta aproximando-se do mestre espiritual prestando-lhe reverências, fazendo-lhe perguntas pertinentes e prestando-lhe serviços com submissão”. Sem adotarmos uma atitude humilde e submissa, jamais poderemos conquistar a afeição e a misericórdia do mestre espiritual. 


O discípulo ideal jamais espera algo de seu guru. Ele tem a consciência de que aceitar um guru significa serví-lo e não ser servido por ele. Ele age sempre de maneira favorável aos outros discípulos, sem nenhum espírito de competição ou inveja. Ele sabe que o amor do guru é incondicional e não depende de qualquer demonstração externa de afeto. O discípulo ideal aceita qualquer punição ou repreensão vindas de seu guru, pois sabe que isso proporciona uma grande purificação, além de ser também uma demonstração de afeto.



Como Cantar Japa


A japa-mālā tem cento e oito contas, sem contar a parte inicial, conhecida como Sumeru, que representa Rādhā e Kṛṣṇa. As primeiras oito contas maiores representam as principais sakhīs de Radha: Lalitā, Viśākhā, Campakalatā, Citrā, Indulekhā, Raṅgadevī, Sudevī e Tuṅgavidyā. Cada sakhī tem oito assistentes que somam sessenta e quatro no total. As trinta e duas contas seguintes representam os principais sakhās de Kṛṣṇa, e as quatro últimas representam Vīra Devī, Vrinda Devī, Paurnamāsī yoga-māyā e Gopisvara Māhādeva, totalizando assim 108.

Durante a prática de japa, devemos nos manter concentrados e não dividir nossa atenção com outras atividades. 

Devemos cantar atentamente um número fixo de voltas todos os dias, aumentando gradualmente até 64 voltas.

Não é permitido levar a japa-mala para o banheiro, tocá-las nos pés e colocá-la no chão ou lugares sujos. É recomendado sempre lavar as mãos antes de usá-la.



As Dez Ofensas Contra Os Santos Nomes


Para garantir um rápido avanço em nossa prática espiritual, devemos evitar cometer todos os tipos de ofensas, especialmente contra os Vaishnavas e os Santos Nomes.


1. Blasfemar contra os Vaishnavas puros e aqueles que dedicam suas vidas totalmente ao serviço de Sri Sri Radha-Krishna.

2. Considerar os nomes de semi deuses como Shiva iguais ou superiores aos nomes do Senhor Vishnu.

3. Desobedecer às ordens do mestre espiritual.

4. Blasfemar a literatura Védica.

5. Considerar exageradas as glórias dos Santos Nomes.

6. Considerar os Santos Nomes do Senhor como imaginários ou materiais.

7. Cometer atividades pecaminosas, esperando que o poder dos Santos Nomes as purifique.

8. Considerar o canto dos Santos Nomes do Senhor apenas como uma atividade ritualística auspiciosa, recomendada na seção de atividades fruitivas dos Vedas (karma-kanda), como sacrifícios de fogo, caridade, penitências e assim por diante.

9. Pregar as glórias dos Santos Nomes às pessoas que não têm fé ou interesse nelas.

10. Manter apegos materiais e concepções corporais como “eu e meu”, mesmo depois de ter sido instruído sobre as glórias dos Santos Nomes.


No Vişnu-yāmala, o Senhor Supremo declara:


"Eu perdoo até milhões de ofensas de uma pessoa neste mundo, que canta Meus nomes com fé. Não há dúvida sobre isso."



  • Despertar (de preferência) antes do nascer do sol.


  • Escovar os dentes e tomar banho (de preferência).


  • Colocar roupas limpas (de preferência devocionais).


  • Aplicar tilaka.


  • Fazer acamana.


  • Prestar reverências diante do altar (primeiro para o guru-parampara e em seguida para as Deidades).


  • Recitar o jaya-dvani.


  • Fazer mangalarati e Tulasi puja. (se possível)


  • Cantar japa.


  • Recitar o mangalacarana e outras orações.


Como Aplicar Tilaka


A. Misture uma gopi-candan (argila sagrada) com um pouco de água sobre a palma da mão esquerda.


B. Faça as marcas da tilaka nos doze pontos do corpo, usando o dedo anelar e um lenço para definir as linhas.


C. Faça acamana.


D. Toque o dedo anelar sobre as tilakas, recitando o mantra de cada separadamente.


1. Testa - om keśavāya namaḥ


2. Acima do umbigo - om nārāyaṇāya namaḥ


3. Tórax - om mādhavāya namaḥ


4. Garganta - om govindaya namaḥ


5. Abdômen direito - om vişnave namah


6. Bíceps direito - om madhusūdanāya namaḥ


7. Ombro direito - om trivikramāya namaḥ


8. Abdômen esquerdo - om vāmanāya namaḥ


9. Bíceps esquerdo - oṁ śrīdharāya namaḥ


10. Ombro esquerdo - om hṛṣīkeśāya namaḥ


11. Cervical - om padmanābhāya namaḥ


12. Lombar - om damodarāya namaḥ


13. Coloque um pouco de gopi candan no topo da cabeça e recite om vāsudevāya namah (importante observar que não é para fazer o desenho da tilaka aqui. São apenas 12 tilakas)



Como Fazer Acamana


1. Pegue o pancapatra (copinho com colher) e coloque água dos rios sagrados. Se a água desses rios não estiver disponível, coloque água comum (que NÃO pode ser do banheiro), coloque uma folha de tulasi lavada e invoque os rios sagrados da seguinte maneira: toque a superfície da água com a ponta do dedo médio da mão direita, sem encostar a unha na água, e entoe o mantra:


gange ca yamune caiva godāvari sarasvati

narmade sindhu kāveri jale'smin sannidhim kuru


2. Pegue a colher do pancapatra com a mão esquerda, coloque um pouquinho de água na palma da mão direita.


3. Recite om keśavāya namah e coloque a água na boca sem encostar a língua na mão.


4. Limpe a palma da mão direita com água.


5. Repita o mesmo procedimento, recitando om narayanaya namah.


6. Limpe a palma da mão direita com água.


7. Repita o mesmo procedimento, recitando om madhavaya namah.


8. Limpe a palma da mão direita com água.


9. Coloque mais um pouco de água na palma da mão direita e recite o mantra:


apavitraḥ pavitro vā sarvāvasthām gato'pi vā

yah smaret pundarīkākṣaṁ sa bāhyābhyantaraḥ śuciḥ


"Aquele que se lembrar do Senhor Krishna de olhos de lótus, em quaisquer circunstâncias, estando puro ou impuro, tornar-se-á puro e santo, tanto interna quanto externamente."


10. Após recitar o mantra, jogue a água sobre a cabeça.


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