Física Quântica e Vedanta
- Svami Mahavir

- 15 de abr.
- 5 min de leitura
No começo do século XX, físicos ocidentais tiveram contato com os Vedas e muitos ficaram fascinados com a possibilidade de encontrar no Vedanta algumas respostas às questões mais difíceis da Física quântica. A fim de elaborar suas teorias acerca da realidade subatômica e da consciência individual e universal, os primeiros investigadores quânticos como Planck, Schrodinger, Heisenberg e Bohr adotaram a filosofia propagada pela escola monista Advaita de Shankaracharya, através de figuras como Swami Vivekananda e Rabindranath Tagore.
Eles defendem que existe uma unidade indistinta entre as almas e o Brahman, como afirma Erwin Schrodinger: “Por ele mesmo, o insight não é novo. O reconhecimento de que ATMAN = BRAHMAN (o eu individual é idêntico ao onipresente e todo penetrante eterno EU) foi considerado pelo pensamento indiano, longe de querer ser blasfemo, como a quintessência do insight mais profundo dentro dos acontecimentos mundiais. O esforço de todos os literatos do Vedanta foi, após aprenderem a pronunciar com os próprios lábios, assimilar de fato em suas mentes, este que é o maior de todos os pensamentos: DEUS FACTUS SUM (Eu me tornei Deus)”.
No entanto, essa não é a única forma de se interpretar o vedanta. Na verdade, a filosofia de Shankaracharya foi derrotada inúmeras vezes por grandes santos vaishnavas, como Ramanuja e Madhva Acharya, representantes da escola dualista Dvaita-vedanta, que defendem a diferença eterna entre a alma e Deus. Portanto, podemos afirmar que a física quântica se amparou numa interpretação falsa do vedanta e que suas conclusões não refletem uma verdade nem para ciência, nem para a espiritualidade.
Para saber mais sobre as diferenças entre as escolas do vedanta, leia o artigo:
O primeiro verso do Vedanta-sutra é athato brahma jijñasa – “devemos primeiramente indagar sobre a Verdade Absoluta”. Aqui não é dito que devemos primeiro questionar sobre a realidade subatômica! Isso demonstra claramente que os físicos quânticos utilizaram o vedanta de modo tendencioso, sem adotar o modus operandi védico, como revela o próprio Heisenberg: “Experimentos são o único meio de conhecimento à nossa disposição. O resto é poesia, imaginação”.
Ao mesmo tempo em que se vale de sentenças do vedanta para ilustrar seus
ensaios, Heisenberg nega a validade do caráter divino e infalível dos Vedas, como sendo a única fonte de se conhecer a Verdade, afirmando que a única chave para se compreender a realidade é através de experimentos sensoriais. No entanto, no Vedanta-sutra está escrito: sastra yonitvat samanvaya - para conhecer a Verdade Absoluta deve-se estudar as escrituras védicas.
Não apenas a teoria quântica é falha, mas seu meio de observação prático também o é. Os físicos quânticos tentam estudar a complexidade do comportamento das partículas subatômicas, isolando-as de seu contexto natural, dentro de máquinas e instrumentos laboratoriais, criando um impasse insuperável. Curiosamente, esse impasse foi questionado pelo próprio Heisenberg, em seu Princípio da Incerteza. Ele afirmou que, quando um físico se esforça para observar uma partícula subatômica, os equipamentos necessários para o experimento alteram inevitavelmente a trajetória das partículas. O que quer que seja utilizado para filtrar a realidade dentro da percepção do observador, seja os instrumentos, máquinas ou os próprios sentidos, já corrompem a pureza original do fenômeno em si.
Max Planck também confirma isso ao declarar: “Qualquer um que tenha se dedicado seriamente a algum trabalho científico de qualquer tipo, percebeu que à entrada dos portões do templo da ciência estão escritas as seguintes palavras: ‘Deveis ter fé’. Essa é uma qualidade indispensável para todo cientista”. Todas essas declarações deveriam ter sido suficientes para tê-los feito abandonar por completo seus experimentos e se abrigarem definitivamente na tradição védica de se fazer ciência.
Sim, os Vedas são científicos. Na verdade, é a única ciência legítima que existe, pois nos leva a conhecer a Verdade Absoluta através de uma revelação, como explicado no verso do Vedanta-sutra, tarkapratisthanath - a Verdade Absoluta não pode ser compreendida pela lógica ou argumentação, mas somente por aqueles para os quais a Verdade escolhe se revelar.
Sem ter um base sólida para se obter conhecimento empírico, eles acabam se valendo de probabilidades e pisando fora do campo da ciência. Neils Bohr confirma: “O mundo quântico não existe. Existe apenas uma descrição abstrata da Física quântica. É errado pensar que a tarefa da Física é descobrir como a natureza é. A Física se preocupa com o que podemos dizer sobre a natureza...”.
Um cientista comum é aquela pessoa que, apesar de todas as limitações dos seus sentidos, aspira investigar e conhecer aquilo que Deus mantém em segredo para a mente humana. Quando eles forem capazes de elevar suas consciências até a dimensão da alma, compreenderão que a onisciência que almejam, é um atributo exclusivo de Deus e somente quando Ele desejar, este conhecimento poderá ser revelado.
Pois bem, agora que compreendemos que todas as respostas estão nos Vedas, e que a filosofia Advaita não expressa uma verdade litúrgica, será que existe alguma maneira de estudarmos a realidade subatômica a partir do vedanta?
Pois bem. Agora que ficou claro que não é capaz de explicar a realidade subatômica? Já que não é através dEsta afirmação pode deixar os físicos quânticos e seguidores da escola Advaita irritados, mas para salvar as gerações futuras das teias da ignorância, devemos contrapor as falácias mayavadis com a filosofia chamada acintya-bheda-abheda (ABA). Popularizado pelo avatar dourado Sri Chaitanya Mahaprabhu, há mais de 500 anos, o conceito da diferença e semelhança simultâneas entre as almas e Deus revolucionou a maneira de se compreender o Vedanta.
Agora, então, vejamos se ABA pode dialogar com a Física quântica ou não. Perguntas tais como: “o que é matéria negra?”, “o que é gravidade?”, “existem multidimensões?”, “pode um elétron residir em dois locais ao mesmo tempo?”, dentre outras deste naipe, não são nem um pouco relevantes para aqueles que estão praticando o que o Vedanta ensina como sendo o Dharma eterno da alma, ou serviço devocional puro a Deus.
O Vedanta não necessita de qualquer interpretação para ser compreendido, mas
devido ao seu nível intelectual altíssimo, muitos fracassam ao tentar explicá-lo corretamente e, como resultado, encontramos várias escolas oferecendo cada qual sua própria interpretação do Vedanta. Entretanto, assim como o cisne pode separar o leite misturado n’água, aquele que estiver conectado a uma sucessão discipular de mestres autorizados, poderá compreender facilmente a essência do Vedanta, através do conceito de ABA.
O conceito paradoxal de ABA é apresentado no Vedanta como sendo a sintaxe divina, o meio através do qual Deus pensa e atua em relação a quase todos os aspectos de Sua criação. Por quê? Porque a vida é um modelo tão complexo que torna a possibilidade de sua existência absurdamente rara e única, insubstituível dentre infinitas possibilidades. Para criar todo esse cenário de milagres, Deus encontrou Sua medida através do equilíbrio entre a existência e a não existência, entre a possibilidade e a impossibilidade. Então, devemos aprender a primeira lição do Quantum Vedanta: Deus é o único capaz de harmonizar paradoxos, e ali fazer Sua morada.
Sendo assim, as respostas que os físicos quânticos desejavam obter, baseadas em
paradigmas egocêntricos, foram oferecidas pela escola Advaita. Mas, considerando que estas respostas não condizem com o significado original do Vedanta, não há razão para nos orgulharmos da pseudo-influência do Vedanta sobre a Física quântica. Na verdade, os físicos quânticos jamais poderiam ter sido chamados de vedantistas, pois isto seria uma ofensa à tradição védica.
Quando a teoria quântica sugere que não podemos manter uma porta fechada e aberta ao mesmo tempo, isso desafia diretamente a potência divina chamada aghatana-ghatana-patiyasi, ou a potência de fazer o impossível possível, como já descrito no caso de ABA. Desse modo, o Vedanta que poderia dialogar com a Física quântica, é o Vedanta que aceita, harmoniza e explica os paradoxos existentes em todos os aspectos da realidade, começando pelos elétrons e culminando na própria natureza de Deus. Mas para todos os efeitos, o Vedanta não é um livro de Física.





Comentários